O financeiro quer saber quantas horas foram gastas em desenvolvimento. A pessoa que gerencia o projeto quer saber se a integração de pagamentos está pronta. Quem executou precisa registrar as três horas que trabalhou no lugar certo.
As três pessoas estão falando do mesmo trabalho, mas não da mesma informação. Desenvolvimento diz que tipo de hora foi realizado. Implementar a integração de pagamentos diz qual entrega consumiu aquelas horas.
Quando uma empresa tenta representar as duas coisas com uma única lista de “tarefas”, surgem dois problemas ao mesmo tempo: o relatório fica fragmentado e o Kanban perde significado. A solução não depende do nome usado pelo software. Ela começa separando classificação da hora de entrega do projeto.
Uma hora precisa de classificação e contexto
Todo lançamento de horas precisa responder pelo menos:
- Em qual projeto o trabalho aconteceu?
- Que tipo de trabalho foi realizado?
- Qual entrega ou demanda estava sendo executada?
Projeto, categoria e entrega são dimensões diferentes. Uma empresa pode chamar a segunda de tarefa, serviço, disciplina ou tipo de atividade. A terceira pode aparecer como atividade, card, item de trabalho ou tarefa. O vocabulário varia; a função de cada informação não.
| Dimensão | Classificação da hora | Entrega do projeto |
|---|---|---|
| Pergunta respondida | Que tipo de trabalho foi realizado? | O que precisa ser entregue? |
| Alcance | Repete-se entre projetos | Existe dentro de um projeto |
| Exemplos | Desenvolvimento, design, consultoria, reunião | Implementar checkout, aprovar layout, homologar campanha |
| Estrutura necessária | Nome estável e regra de cobrança | Responsável, prazo, etapa e critério de conclusão |
| Uso principal | Relatórios, custos e faturamento | Planejamento e acompanhamento |
| No Rabbiit | Tarefa | Atividade |
No Rabbiit, tarefa é o nome dado ao tipo de trabalho reutilizável, enquanto atividade é o item executável do projeto. Essa é uma decisão de modelagem do produto, não uma regra universal da língua portuguesa.
Aba Tarefas: categorias de trabalho reutilizadas nos projetos
Exemplo: um projeto de desenvolvimento de site
Imagine uma agência executando o projeto “Novo site da Empresa X”.
O catálogo de tipos de trabalho pode ser pequeno e reaproveitado:
- Design
- Desenvolvimento
- Reunião
- Testes
Já o plano de execução contém entregas específicas:
- Aprovar o wireframe com o cliente
- Implementar o checkout
- Configurar os eventos de analytics
- Homologar a versão final
Um lançamento poderia registrar 2h30 de Desenvolvimento na atividade Implementar o checkout, dentro do projeto Novo site da Empresa X.
Cada parte responde a uma pergunta. O projeto identifica onde o custo aconteceu. A tarefa “Desenvolvimento” permite agrupar horas equivalentes entre clientes. A atividade “Implementar o checkout” mostra qual entrega consumiu o tempo e quanto falta para concluí-la.
Se “Implementar o checkout” for cadastrado como tipo de trabalho da conta, dificilmente será reutilizado com o mesmo significado. Se “Desenvolvimento” virar um card do Kanban, ninguém sabe qual resultado deve ser entregue para movê-lo até “Concluído”.
Como a mistura prejudica os relatórios
Uma classificação útil precisa ser estável. Se cada projeto cria “Desenvolvimento do site X”, “Desenvolvimento do aplicativo Y” e “Dev cliente Z”, o relatório deixa de responder quanto tempo a empresa investiu em desenvolvimento. Antes de analisar, alguém precisará consolidar manualmente nomes que representam a mesma coisa.
O efeito também chega à cobrança. Quando as categorias definem tipos de hora cobráveis ou taxas diferentes, uma taxonomia inconsistente dificulta explicar a composição do valor ao cliente. O problema não é a falta de dados: é ter muitos nomes para o mesmo conceito.
Uma boa categoria de horas normalmente:
- pode ser usada em vários projetos;
- representa uma natureza de trabalho, não uma entrega;
- permanece compreensível sem o nome do cliente;
- permite agrupamento financeiro ou operacional;
- muda com menos frequência que o escopo dos projetos.
Como a mistura enfraquece o Kanban
O Kanban precisa mostrar fluxo. Cada card deve representar algo que pode avançar de uma etapa para outra e chegar a uma condição reconhecível de conclusão.
Um card chamado “Desenvolvimento” não deixa claro o que está sendo desenvolvido, quem responde pela entrega ou quando ela estará pronta. A coluna muda, mas o avanço real continua sendo explicado no chat, em uma reunião ou em uma planilha paralela.
Um card como “Implementar recuperação de senha” oferece um objeto gerenciável. É possível atribuir uma pessoa, estabelecer uma data, estimar horas, descrever o critério de pronto e dividir a entrega em passos menores.
No quadro Kanban do Rabbiit, cada card é uma atividade. A lista e o quadro apresentam a mesma entidade; mover o card altera sua etapa, não a classificação das horas registradas.
Quadro Kanban com atividades específicas do projeto
Um teste simples antes de cadastrar
Antes de criar um item, faça duas perguntas.
Isso deve ser uma categoria de horas?
Use uma categoria quando:
- o nome fizer sentido em outros projetos;
- o financeiro precisar agrupar as horas dessa forma;
- ela representar uma especialidade, disciplina ou modalidade de trabalho;
- não houver uma condição própria de conclusão.
“Consultoria”, “Design” e “Reunião” normalmente passam nesse teste.
Isso deve ser uma atividade do projeto?
Use uma atividade quando:
- houver uma entrega ou resultado identificável;
- alguém puder ser responsável;
- existir prazo, estimativa ou prioridade;
- o item puder mudar de etapa e ser concluído;
- arquivos, comentários ou decisões precisarem permanecer no contexto.
“Revisar a proposta comercial” e “Homologar o aplicativo com o cliente” normalmente são atividades.
Se a entrega for grande, use subatividades para representar seus passos. Não transforme cada passo em uma categoria da conta.
Como reorganizar uma estrutura que já ficou confusa
Não é necessário reescrever todo o histórico. Comece pelos projetos ativos e estabeleça uma regra para os próximos lançamentos.
- Liste os tipos de trabalho atuais. Identifique sinônimos, nomes de clientes e entregas específicas.
- Separe o que é reutilizável. Preserve categorias amplas que fazem sentido em diferentes projetos.
- Evite duplicidades. Escolha uma forma principal, como “Desenvolvimento”, em vez de manter também “Dev” e “Programação” com a mesma finalidade.
- Arquive o que não deve ser reutilizado. O histórico de horas pode permanecer associado aos registros antigos sem oferecer o nome para novos apontamentos.
- Crie atividades para as entregas abertas. Leve para o projeto os itens que precisam de responsável, prazo e acompanhamento.
- Adote uma convenção de títulos. Verbos ajudam a tornar a entrega verificável: implementar, revisar, aprovar, publicar, homologar.
- Aplique a nova estrutura daqui para frente. Alterar dados históricos só vale a pena quando existe uma necessidade contábil ou analítica concreta.
No Rabbiit, a configuração do catálogo e sua aplicação nos projetos está explicada em como adicionar tarefas ao projeto. O detalhe de responsável, prazo, estimativa, descrição e histórico está em como criar uma atividade.
Como saber se a organização melhorou
Depois de algumas semanas, procure sinais objetivos:
- o relatório agrupa tipos de trabalho sem depender do nome do cliente;
- o catálogo deixou de crescer a cada nova demanda;
- os cards descrevem entregas que o time reconhece;
- as atividades importantes têm responsável e prazo;
- é possível comparar a estimativa com as horas registradas;
- arquivos e decisões estão associados à entrega;
- quem aponta sabe classificar a hora sem criar um novo cadastro.
Essa separação melhora duas conversas diferentes. O financeiro passa a enxergar a composição das horas. Quem gerencia o projeto passa a enxergar entregas, responsáveis e fluxo.
Como o Rabbiit implementa esse modelo
No Rabbiit, a tarefa classifica a hora e pode ser reutilizada nos projetos. A atividade organiza o trabalho específico na lista ou no Kanban, com responsável, data de entrega, etiquetas, estimativa, horas registradas, descrição, subatividades, anexos, comentários e histórico.
O objetivo não é discutir qual palavra é linguisticamente correta. É impedir que uma única lista tente servir ao mesmo tempo como catálogo financeiro e plano de execução. Quando cada estrutura responde à pergunta certa, o apontamento produz relatórios melhores e o Kanban volta a representar o trabalho real.
Para configurar essa separação, consulte a diferença entre atividades e tarefas e o guia de gestão das atividades no projeto.


